Canetas emagrecedoras funcionam mesmo?
Estamos perdendo só gordura ou músculo também?
Quando falamos das famosas “canetinhas” para emagrecimento, o debate geralmente gira em torno do número que aparece na balança. No entanto, o aspecto mais importante não é apenas o peso total perdido, mas sim a composição corporal, ou seja, quanto dessa perda vem de gordura e quanto de massa muscular.
Um dos estudos que investigou essa questão de forma mais detalhada foi o SEMALEAN, publicado na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism. A pesquisa analisou como o uso da Semaglutida afeta não apenas o peso corporal, mas também a massa de gordura, a massa magra e a função muscular em indivíduos com obesidade.
No estudo, 106 participantes foram acompanhados por 1 ano durante o tratamento com 2,4 mg de Semaglutida, popularmente conhecida como Ozempic ou Wegovy. Além do uso do medicamento, os participantes do estudo também receberam acompanhamento clínico com orientações de estilo de vida, incluindo recomendações nutricionais e incentivo à prática de atividade física ao longo do tratamento. As avaliações corporais foram medidas depois de 7 meses e por último após 12 meses, através de exames de densitometria (DXA), sendo possível comparar a quantidade de massa muscular e massa de gordura. Outros métodos de avaliação foram o uso de bioimpedância para verificar a quantidade de água, circunferência da cintura, força da pegada das mãos para verificar a função muscular e gasto energético em repouso através da calorimetria indireta.

Os resultados do estudo mostraram que o uso da semaglutida levou a uma redução significativa do peso corporal dos pacientes. Em média, após 7 meses, se notou uma redução de aproximadamente 10% do peso corporal, e após 1 ano de acompanhamento quase 15% de perda do peso total.
Em relação a composição corporal, os pesquisadores observaram que a maior parte do peso perdido correspondeu a redução de gordura corporal, atingindo ao final do tratamento mais de 18% de diminuição. Já em relação a massa magra, também houve uma perda significativa, por volta de 3 quilos após os primeiros 7 meses, porém, essa redução se estabilizou até o final do tratamento.
Outro ponto importante observado no estudo foi o aumento da força muscular. Houve um ganho de mais de 4 kg na força de preensão manual, medida utilizada para avaliar a função muscular. Além disso, foi observada uma redução no número de participantes com obesidade sarcopênica, sugerindo que a perda de gordura pode estar associada à melhora da força e da função muscular.
Portanto, os resultados do estudo mostram que a perda de peso pelo uso do medicamento se deve majoritariamente à redução da gordura corporal, embora uma parte da massa muscular também seja perdida, especialmente nos primeiros meses de tratamento, sendo algo ao qual se deve atentar. No entanto, quando o tratamento é feito de forma adequada, com acompanhamento nutricional e prática regular de atividade física, especialmente treino de força, as evidências mostram que é possível evitar ao máximo essa perda de massa magra, preservando a função muscular e até melhorando-a.
Dessa forma, fica evidente que o uso de Semaglutida ou outros medicamentos é uma ferramenta que pode ser utilizada em um cenário de obesidade, mas não deve ser tratado como a única solução, e sim como uma união entre o exercício físico e a alimentação adequada. Afinal, mais do que reduzir o número na balança, o objetivo principal deve ser melhorar a qualidade de vida do paciente de forma geral.
Fonte: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12673431/pdf/DOM-28-112.pdf


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